Abóbora: ingrediente de prato típico nos EUA e no Brasil | Giro de Notícia

Abóbora: ingrediente de prato típico nos EUA e no Brasil

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Dura por fora, mas macia por dentro, a abóbora é utilizada em preparos doces ou salgados. Quando cozida, ganha consistência cremosa e sabor adocicado, o que a torna um bom ingrediente-base na confeitaria para tortas, bolos e doces. Sua origem é norte-americana, e, não à toa, é um símbolo nacional do Dia das Bruxas na cultura estadunidense. O Halloween é no dia 31 de outubro, mas a abóbora ganha destaque em pratos típicos na região durante todo o mês, até meados de dezembro. No hemisfério Norte é outono, e elas também são representativas dessa estação. Nesse período de colheita, é tradicional os passeios para visitar as extensas plantações de abóboras em diversas regiões do país.

Quem explica é Camila Scarpante, sócia-proprietária do American Way Cafe, especializado na gastronomia e jeito de servir norte-americano. O preparo mais típico dessa estação é a torta de abóbora americana, a pumpkin pie, sobremesa que não pode faltar na celebração do Dia de Ação de Graças, comemorado na quarta quinta-feira de novembro nos Estados Unidos. O Thanksgiving Day, como é chamado, é uma comemoração tradicional cristã que ocorre desde o século 17 nos Estados Unidos, no Canadá e nas ilhas do Caribe. É o momento em que se agradece pelas colheitas realizadas durante o ano, celebrado em ceias com a família e em outros eventos.

“Todo jantar de Ação de Graças precisa ter a torta de abóbora, é tradicional”, destaca Scarpante. A origem do doce acompanha a tradição há séculos. Teria sido trazida pela colonização europeia, que juntou o costume no preparo de tortas com um ingrediente abundante na região, a abóbora.

Ao longo do tempo, os modos de preparo se modificaram até chegar a uma versão tradicional, reproduzida todos os anos: uma camada de massa crocante e amanteigada, com o recheio cremoso de abóbora. Quanto ao sabor, são as especiarias que dão o toque especial para o prato. A característica condimentada é resultado da soma de alguns ingredientes, como canela, noz-moscada, cravo, gengibre e pimenta-da-jamaica.

De tão tradicional, a mistura é chamada de pumpkin pie spice, que em tradução livre seria o “tempero da torta de abóbora”, possível de ser adquirido pronto em empórios. “Cada pessoa ou marca possui a própria composição e proporção. Às vezes, não são todos esses ingredientes, mas essa é a mistura que dá o gosto e o cheiro de torta de abóbora”, explica Scarpante.

A partir da torta de abóbora, essa combinação típica de textura e sabor é utilizada também em outros preparos, como bolos, cafés e milkshakes. A mistura foi explorada pela Starbucks, rede internacional de cafeterias, com a linha de bebidas Pumpkin Spice, que chegou ao Brasil em outubro para marcar o cardápio sazonal junto às comemorações de Halloween.

Disponível por tempo limitado, são quatro as versões que podem ser apreciadas no país: o Pumpkin Spice Latte, o Iced Pumpkin Spice Latte, o Pumpkin Spice Cold Brew Cold Foam e o Pumpkin Spice Frappuccino. Em Curitiba, a abertura da primeira cafeteria da rede na capital foi em outubro, no shopping Mueller, e a segunda no início do mês, no Palladium. Mais duas unidades abrem na capital até o fim do ano: no Jockey Plaza e no Pátio Batel.

No Brasil, a abóbora também é protagonista de doces típicos, sobretudo no Sul e Sudeste do país. Se destacam, por exemplo, os tijolinhos de abóbora preparados em cal virgem, doces de abóbora com coco e abóbora cristalizada. Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, por aqui as principais especiarias utilizadas em todos os preparos são duas: cravo e canela.

A diferença está também no açúcar. “O que predomina bastante lá é que eles usam o açúcar mascavo na receita, que é mais suave e tem o gosto do melado. Toda receita de torta de abóbora vai açúcar mascavo. Aqui, a gente usa bastante o açúcar refinado e o cristal”, explica Scarpante. Além disso, as espécies de abóbora variam entre cada país. No Brasil, a mais comum para o preparo de doces é a abóbora de pescoço, de casca mais fina, polpa alaranjada, e textura mais aguada.

Em Curitiba, um tradicional doce de abóbora em calda é oferecido na Churrascaria do Darci, no Bom Retiro. O restaurante, fundado em 1970, serve sobremesas caseiras e com sabor afetivo, como o sagu, arroz doce, pudim, e o mais famoso do cardápio, o doce de abóbora com creme.

A receita foi incorporada ao menu há mais de 30 anos. Um cliente pediu uma sobremesa diferente das oferecidas no cardápio e uma das donas do restaurante, Therezinha Bonatto, havia feito para a família uma receita de sua vizinha. “Minha mãe falou que não ia servir porque culturalmente a abóbora sempre foi um pouco menosprezada. Aí o cliente insistiu. Ele falou que estávamos perdendo dinheiro, pois o doce era uma delícia”, explica Márcia Bonatto, filha de Therezinha, que hoje responde pela churrascaria. Desde então, o doce ficou famoso. “Algumas pessoas almoçam em outros lugares e vem aqui só para comer a sobremesa”, destaca.

Se engana quem pensa que o preparo é simples por levar apenas dois ingredientes principais, açúcar e abóbora. O segredo da receita está no tempo do cozimento e na escolha da abóbora. De tão caseiro, o doce tem um preparo elaborado pela família que é quase intuitivo. O cozimento da abóbora, feito em panela de pressão, é definido quando o odor aromático toma conta da cozinha. “Eu brinco que quando a gente faz a abóbora temos que ficar ao lado da panela até sentir o cheiro do doce para desligar. É um cheiro adocicado”, explica Márcia Bonatto. De modo geral, o tempo é de 2 a 5 minutos depois da fervura.

A abóbora de pescoço é a mais indicada para o preparo, de preferência a parte mais compacta, de menor diâmetro. É servida com creme de leite e finalizada com cravo. “O creme quebra a doçura. O doce da abóbora, com a acidez do creme, fica um casal perfeito”, descreve Bonatto.

Fonte: Gazeta do Povo

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