Daniel, o grafiteiro que se realiza na arte urbana: “nasci desenhando” | Giro de Notícia

Daniel, o grafiteiro que se realiza na arte urbana: “nasci desenhando”

banner principal

Daniel Adolfo, 41, o Daniel Grafiteiro, tem uma firma de pintura que gera oito empregos. Com sua equipe, presta serviços de pintura em geral na construção civil, mas é na arte urbana que se realiza e, por isso, se dedica mais. Diz que “adooora” o que faz, até por que “rende mais”, admite.

Das ruas, seu talento ganhou notoriedade e vai também para o privado: muitas empresas, igrejas, bares, residências estão com a marca do artista. “Isso tá no sangue: nasci desenhando”, afirma, ao ser perguntado se é um autodidata ou se estudou para desenvolver o dom.

“Percebi que tinha facilidade no desenho e, com 13 anos, comecei a pintar tela; para entender sobre luz, sombra, perspectiva, fiz um curso por correspondência, do tipo que a apostila chegava pelo correio”, conta, demonstrando orgulho pela iniciativa que teve [isso foi e 1997, quando tinha 17 anos de idade].

Na adolescência, por quatro anos, Daniel morou em São Paulo e foi lá que se encantou com essa forma de expressão artística [a cidade paulistana é referência mundial no gênero da arte de rua].

Não demorou para migrar do óleo sobre tela para a tinta spray.  Quando voltou para Umuarama, em 1997, trouxe na bagagem uma boa experiência e inspiração para empreender por aqui.

Se o grafite no mundo surgiu como uma arte transgressora, como suporte de protesto, Daniel deixa transparecer que, definitivamente, isso não é sua vibe. Competência técnica não falta, mas seu trabalho tem cunho comercial. Sua única pretensão é atender o cliente, “prestando um serviço diferenciado, pra o resultado ser admirado e, principalmente, colaborar para deixar a cidade mais bonita”.

Seja a céu aberto ou em ambientes fechados, o que o grafiteiro persegue é ganhar a vida com sua arte. “Sou de família pobre, filho de pais separados, órfão de mãe ainda menino… Eu me considero um cara que venceu na vida, graças a Deus; não tem crise pra mim, não”, diz o grafiteiro, que é casado e pai de três filhos, tem casa própria com piscina, camionete 4×4 e duas motos esportivas mil cilindradas para passeios.

Há poucos dias Daniel se surpreendeu com uma mensagem que chegou de uma professora que teve na quarta séria, com pedido de desculpas – a mesma que lá atrás não entendia o seu jeito intrépido de se comportar. “Para ela, eu vivia rabiscando os cadernos e paredes, fato que me criticava, me chamava a atenção”, conta.

Mas a bronca não tirava seu ânimo, nem as ideias que tão espontaneamente surgiam em sua mente: “Na volta do recreio à sala de aula, eu andava bem depressa, chegava antes de todos, pra desenhar no quadro; fazia muito isso”.

Em áudio, a professora confessa estar arrependida. “Ela disse que depois que viu meus murais na cidade virou minha fã, me parabenizou e me elogiou bastante; eu nem lembrava mais disso, mas fiquei feliz pela declaração dela, reconhecendo ter errado nos julgamentos que fazia de mim, no passado”, conta, salientando tê-la perdoado.

Um dos murais de autoria de Daniel Grafiteiro está localizado na esquina da avenida Cabo Francisco Damião da Silva com a rua Rodrigues Alves [em frente ao 25º Batalhão da PM]. A imagem de um violão protagoniza a cena publicitária, que custou ao contratante R$ 3 mil [hoje um trabalho semelhante gira em torno de R$ 6 mil, informa o grafiteiro].

Outros trabalhos em grafite podem ser apreciados na Igreja São Paulo, na escola LIG, no Arena Castelo Society Bar, no Strike Bowling Bar, na Momo Escapamento e na clínica Magras.

Fonte: OBemdito

Compartilhe:

NOTÍCIAS RELACIONADAS