Em Umuarama, médico residente dispara arma dentro de hospital, rouba carro para fugir e acaba preso

Um médico residente disparou uma arma dentro do setor de ortopedia do Hospital Cemil, em Umuarama, no noroeste do Paraná. O caso foi registrado na tarde desta quarta-feira (15).
Segundo a Polícia Militar (PM-PR), residente também roubou um carro durante a fuga, mas acabou preso em flagrante.
O advogado Robson Meira, que atua na defesa do residente, disse ao g1 que ele ainda será interrogado, mas está em “choque” e “não consegue descrever o ocorrido neste momento”.
De acordo com o Tenente Coronel Carlos Peres, foi apurado que a situação aconteceu durante o terceiro atendimento que o residente realizava junto com um professor, que atua como ortopedista.
Durante a consulta, o residente aproveitou que estava sentado atrás do médico e tentou atingí-lo com um disparo. Contudo, o residente errou o tiro. Uma paciente que estava no consultório foi atingida de raspão na cabeça.
“Nem o médico, nem a paciente que estava sendo atendida, perceberam ele sacando essa arma. O médico disse que só percebeu um estampido forte e viu que a paciente estava ao solo”, informou Peres.
A PM informou que a mulher, de 58 anos, recebeu atendimento médico e não corre risco de morrer. O Coronel disse que a motivação do disparo ainda não foi esclarecida e deverá ser investigada pela Polícia Civil (PC-PR).
A ala onde o disparo foi feito foi isolada para a perícia.
Depois do disparo, o residente fugiu a pé. No meio do caminho, ele rendeu um motorista e disparou novamente, dessa vez contra o chão, e roubo o carro. Pouco tempo depois, ele foi abordado pelos policiais.
Com ele, foi encontrado um revólver carregado com seis munições. No bolso dele, estavam outras 17 balas intactas e duas deflagradas. Conforme o Coronel, o residente não tem porte de arma e ela não tinha registro.
“O revólver calibre 32 é uma arma pequena, então é possível esconder no bolso, na cintura e no meio das vestes. Embora sejam bastante munições, elas também são pequenas. Como ele estava com o jaleco, acaba ficando mais fácil. Nos hospitais não há nenhum tipo de controle, como detector de metais ou revista, e ele se aproveitou disso para entrar com essa arma”, explicou o Coronel.
O residente foi levado para a delegacia de Umuarama, onde o caso foi registrado como tentativa de homicídio e roubo.
A PM apurou que o residente se formou em medicina na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul.
Posicionamentos
Em nota, o Hospital Cemil informou que o caso foi um “incidente isolado” e repudia qualquer tipo de violência. A asssessoria da unidade disse também que Gabriel será desligado do programa de residência médica. Veja o posicionamento na íntegra abaixo:
“A Associação Beneficente São Francisco de Assis / Hospital CEMIL vem por meio desta Nota Oficial informar incidente isolado ocorrido em suas dependências na tarde de hoje, envolvendo um disparo de arma de fogo. A Polícia Militar foi imediatamente acionada e o caso está sendo devidamente apurado pelas autoridades competentes, com as quais esta instituição de saúde colabora integralmente. O hospital reforça que repudia qualquer tipo de violência e/ou conduta que contrarie seus princípios institucionais e informa que medidas cabíveis estão sendo tomadas, também, no âmbito interno. Por respeito aos direitos dos envolvidos e ao sigilo das investigações, não serão fornecidos detalhes adicionais neste momento. A instituição permanece à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades e reafirma seu compromisso com a segurança, a ética e a qualidade no atendimento.”
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se manifestou dizendo que vai instaurar uma sindicância para apurar a situação. Gabriel poderá ter o registro cassado, caso seja comprovado que ele violou regras éticas do conselho. Veja abaixo:
“O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) informa que está acompanhando o caso e irá instaurar processo de sindicância para apurar as circunstâncias do fato ocorrido. Caso comprovada conduta violadora das regras éticas, as sanções previstas na Lei de criação dos Conselhos de Medicina vão desde advertência confidencial, podendo chegar à cassação do exercício profissional, a depender do grau de culpa e da gravidade das consequências apuradas. Conforme estabelece o Código de Processo Ético-Profissional (Resolução CFM nº 2.306/2022), as sindicâncias e os processos ético-profissionais tramitam sob sigilo processual, garantindo às partes envolvidas os direitos constitucionais ao contraditório e à ampla defesa.”
Fonte da informação: Por Victor Freitas, Eloíse Fernandes, Izabelly Fernandes, g1 PR e RPC Noroeste
