Negócio em ascensão, brechós entram na moda também em Umuarama | Giro de Notícia

Negócio em ascensão, brechós entram na moda também em Umuarama

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Os brechós estão em alta, e Umuarama definitivamente faz parte do circuito. Nos últimos anos vários surgiram na cidade e a crise pode ser um dos motivadores desse modelo de negócio. Porém, um outro pesa bastante, é a sustentabilidade.

Campanhas contra o consumismo desenfreado e a favor do desapego fortalecem esta tendência para aquisição de mercadoria de segunda mão. Aliás, Umuarama conta até com loja focada num só ramo; no caso, vestuário infantil. É o ‘João e Maria’, brechó da empresária Ana Clara Garcia, 35, que trouxe de Ourinhos, onde morava, para cá a novidade.

Na cidade paulista ela fazia o ‘porta a porta’, vendendo e comprando, com respaldo das redes sociais. Aqui, continuou na mesma tática, mas também com uma loja montada num quarto da casa, no bairro Ouro Branco. “A intenção era só ajudar na renda da família, mas foi além; deu tão certo que logo o espaço ficou pequeno demais”, lembra Ana Clara.

Foi quando decidiu abrir a loja no centro da cidade, em 2017, numa galeria perto da antiga rodoviária, que logo “também ficou apertada”. O jeito foi mudar outra vez. Em pleno lockdown, arriscou alugando uma sala com o dobro do tamanho [cerca de 80 metros quadrados] e preço de aluguel.

Não se arrependeu. “Foi uma decisão difícil e solitária, de muita tensão, mas que deu certo e me deixou muito feliz”, conta. Por solitária quis dizer que não conseguiu apoio de ninguém, nem de parentes, nem de amigos próximos. “Pelo contrário: ‘me chamavam de doida’, mas não dei ouvidos, porque conheço meu potencial”.

Essa autoconfiança, segundo ela, é fundamental em vendas. “O que faz o sucesso de uma loja é a divulgação e o bom atendimento e isso eu sei fazer muito bem”, assegura.

O ‘João e Maria’ tem de tudo para crianças de 0 a 12 anos, com preços a partir de dois reais. Roupas, calçados, brinquedos, enxoval completo para bebês, carrinho, cadeirinha para automóvel, acessórios, tudo com cheiro bom e boa aparência. “Foi o tempo que brechó era sinônimo de mercadoria velha”, brinca a lojista, orgulhosa da clientela fiel.

Segundo ela, nestes cinco anos de atuação conquistou clientes de todas as classes sociais, a maioria mães. As mais abonadas vão em busca das grifes famosas, como Tommy Hilfiger, Zara, Carter’s, Lilica Ripilica e Melissa, que se destacam nas araras. “Vendo muita roupa importada; uma peça que, nova, custa 500 reais, vendo a 100 reais”, exemplifica.

Mais um exemplo: “Tinha 40 trajes de festa junina, vendi todos em uma semana”. Os preços variaram de 20 a 45 reais.

Mas não só as vendas giram o negócio, que tem as trocas como um diferencial importante. Muitos clientes são fornecedores: a mãe leva as roupinhas do filho que não servem mais, a lojista avalia e o valor estipulado ‘paga’ a compra que a mãe deseja fazer.

A propósito, foram as trocas que inspiraram a iniciativa. “Comecei trocando as roupas da minha filha”, conta a empresária, que é mãe solo de Maria Luiza. “Hoje, o dinheiro que ganho na loja paga todas as minhas contas”, exclama com ar de vitória.

Uma reportagem da revista VC S/A diz que brechós, “atraídos por moderninhos, podem desbancar lojas de roupas tradicionais”. E informa data: 2024, ou seja, já, já. Baseada em pesquisas sérias, a matéria fornece dados relevantes.

“Nos últimos anos, o mercado de segunda mão tem aumentado exponencialmente, no Brasil e no mundo: em 2019, as vendas de usados pelo globo cresceram 25 vezes mais rápido do que o setor varejista como um todo, segundo relatório da ThredUp, uma empresa de capital aberto americana com foco em vendas de usados”.

Os números impressionam: “Usando dados da GlobalData, a ThredUp estima que o dinheiro movimentado pelo setor saltará de US$ 28 bilhões (em 2019) para US$ 64 bilhões em 2028. No mesmo período, o montante dos setores da fast fashion – o varejo tradicional de vestuário, com venda de peças novas que rapidamente perdem seu uso – terá um crescimento muito menor: de US$ 36 bilhões para US$ 43 bilhões”.

E diz mais: Em 2019, o “Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) estimou que havia 13 mil pequenos negócios no país focados na venda de produtos usados”.

No mundo, esse modelo de negócio é milenar: “Fazer a revenda de itens usados existe desde que gente é gente”, escreve a VC S/A. O primeiro que surgiu no Brasil, segundo a reportagem, foi no século 19, instalado no Rio de Janeiro por um alfaiate português que se chamava Belchior.

Outros foram surgindo com o nome ‘loja do Belchior’. “Como a língua evolui por linhas tortas, ’belchior’ logo se transformou no que conhecemos hoje como ‘brechó’. Lá fora, o modelo tinha se consolidado nos tais ‘mercados das pulgas’”.

Fonte: OBemdito

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