Noivos adiam casamentos por causa da pandemia do coronavírus; Procon orienta casais a negociarem com fornecedores

A união entre duas pessoas leva, na maioria das vezes, para um destino: o altar. Para alguns, apenas mais uma etapa do relacionamento, mas para outros é o maior sonho. Porém, o destino às vezes arrasta para rumos distintos do planejado.

A pandemia do novo coronavírus adiou vários casamentos, e os noivos tiveram que se adaptar e correr atrás de novas datas e negociação com fornecedores. Somente em Curitiba e Região Metropolitana, já foram quase 100 casamentos adiados ou cancelados, conforme a arquidiocese.

Um decreto, assinado em 16 de março, proibiu eventos públicos ou particulares, de qualquer natureza, com reunião de público acima de 50 pessoas. Essa medida, legítima por questões de saúde pública, acarretou também em dor de cabeça para alguns casais.

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Luane Bächtold e Alexandre Montanarim pretendiam se casar em 18 de abril, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O noivado ocorreu em janeiro de 2018, e o planejamento começou desde então. Até copos e chinelos personalizados com a data do casamento já estavam prontos.

Segundo ela, começou a ficar inviável a realização do casamento em meio à pandemia, desde a quantidade de convidados, até pelos riscos de contagio da doença. O avô dela, Harry Bächtold, ao longo desse tempo sofreu Acidente Vascular Cerebral (AVC) por sete vezes, fez cirurgia e chegou a ser desenganado.

“Mesmo sendo nosso sonho, muito planejado, com tudo pronto, não tem o que fazer. Nunca colocaria a vida das pessoas que a gente ama em risco. Ainda mais do meu avô, que está contando os dias para me levar ao altar. Ele sempre diz que se mantém forte porque tem a missão de entrar comigo”, contou.

De acordo com a Arquidiocese de Curitiba, levando em consideração que na capital e região são cerca de 140 paróquias espalhadas por 11 municípios, e umas 600 capelas, o número de celebrações remarcadas deve aumentar ainda mais.

‘Tudo é negociação’

A orientação do Departamento Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-PR) é para que os noivos ou pessoas que estejam passando por situações semelhantes de cancelamentos ou adiamentos optem pela negociação com as empresas.

“Não existe uma regra nesse caso, estamos em uma situação completamente atípica, delicadíssima. Isso significa que todo mundo vai precisar ceder um pouco, todo mundo vai perder um pouco”, explicou Cláudia Silvano, que é chefe do Procon.

Cláudia ainda orienta que a alteração de datas e uma boa conversa são as melhores alternativas.

Em risco

Os noivos Michelle Gemniczak e Mauricio Nascimento tiveram um empecilho ainda mais próximo deles. Ela está grávida de seis meses e meio, portanto faz parte do grupo de risco da Covid-19. Eles casariam em 28 de março e vão ter que achar uma nova data.

A lista também era extensa, com 160 convidados. O casal contou que os fornecedores estão sendo muito solidários e tentando fazer o melhor para todos. Porém, um problema que eles encontraram foi que o local onde seria feita a festa foi vendido, e a partir de maio não serão mais realizados eventos.

“Eles vão devolver o dinheiro normalmente, mas agora temos que achar um outro lugar para a festa. Na semana passada já mandamos um comunicado aos convidados, e todo mundo super entendeu a situação. Na verdade não foi uma escolha, né”, comentou a noiva.

‘Mexe com sonhos’

Em Londrina, no norte do Paraná, os noivos Renata Toloi e Elton Martins também estão enfrentando problema com o casamento. A celebração deles seria realizada em 28 de março e ficou marcada para 20 de fevereiro de 2021.

“Só de planejamento de casamento foi um ano e três meses. Começamos a ouvir sobre o coronavírus na semana passada só, mas falávamos: ‘Ah, não vai chegar aqui, né’. Chegou, e vários convidados já falaram que estavam com medo de vir ou que eram do grupo de risco”, disse a noiva.

Dos 230 convidados, 200 já tinham confirmado. A vó de Elton é do Rio Grande do Sul e não anda de avião. Ela iria até Londrina para a celebração de ônibus.

“Pelos riscos, sentamos com as famílias e preferimos adiar. Casamento é um momento de união, todo mundo quer ficar junto, quer abraçar, quer beijo, quer dançar na pista junto. Com esse problema esse momento seria privado. Foi um baque”, contou ela.

Conforme Renata, o noivo já tinha deixado para gravar a data nas alianças, a sorte é que deu tempo para cancelar.

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Fonte: G1 Paraná – Norte e Noroeste

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