PM que matou primo, namorada e cometeu suicídio estava em tratamento psiquiátrico

O soldado William Moreira de Almeida, de 29 anos, que matou a namorada, o primo e cometeu suicídio na noite da última sexta-feira (7), no bairro Guarani, em Colombo, estava afastado da Polícia Militar (PM) há nove meses para tratamento psiquiátrico. O policial havia voltado ao trabalho e recebido a pistola na última terça-feira (4) e, apenas três dias depois, cometeu o crime.

William estava em uma reunião familiar junto com a namorada, Katia Juliana Rezende Marques, de 27 anos, e com o primo, Dênis Donizete do Nascimento, de 30 anos, quando um desentendimento aconteceu. Testemunhas relataram que o soldado tinha ciúmes da namorada, e afirmava que o primo “olhava diferente” para a mulher. Durante a confusão, o PM teria sacado a pistola para atirar contra o primo e, em uma tentativa de intervir, Katia ficou entre os dois e foi baleada na cabeça. A bala atingiu também Dênis, que caiu no chão da casa e foi atingido por mais um tiro. Em seguida, o soldado cometeu suicídio.

O PM estava de folga no dia da tragédia e, de acordo com os vizinhos, era conhecido por sua tranquilidade e demonstrava muito afeto pela namorada. William havia entrado na corporação em fevereiro de 2016, porém precisou ser afastado para realizar um tratamento psiquiátrico. O soldado havia voltado ao trabalho apenas três dias antes de cometer o crime, quando recebeu a pistola. “Nós entendemos que o William não deveria ter retornado ao trabalho e muito menos ter tido acesso a uma pistola, pois ficou afastado durante nove meses. Aí veio uma normativa da Corregedoria da PM dizendo que ele deveria se apresentar para serviço”, afirmou a conselheira da Associação de Praças do Estado do Paraná (APRA), Vanessa Fontana.

A conselheira relatou, ainda, que o soldado foi obrigado a voltar para o trabalho, que a princípio seria no setor administrativo. “Como ele era um homem de rua, falou que ‘não, me recuso’, aí falaram para ele arrumar um atestado médico. Ele providenciou esse atestado médico como apto, mas não era do médico que fazia o tratamento dele, e retornou à corporação três dias, e teve acesso a pistola. O que fez? Tirou a vida de duas pessoas e no final cometeu suicídio”, disse. Para Vanessa, há uma criminalização da saúde dos policiais militares, e William foi ameaçado para voltar ao trabalho. “O que ele merecia não era uma pistola na mão, e sim um médico que tratasse adequadamente da sua saúde. Ele voltou ao serviço mediante ameaça, coação… se ele não retornasse e desobedecesse a ordem de se apresentar, seria preso por desobediência. Ou então seria preso por deserção caso não se apresentasse”.

A situação, de acordo com Vanessa, apresenta um risco para a população. “Como que o PM pode fazer atendimento para a população sem colocar em risco a sua vida e a vida da sociedade se ele não tem condições de trabalhar? A medida que você coloca em serviço, que você manda uma normativa para um policial que está com transtorno, o que o PM faz? Ele retornou e infelizmente cometeu esses homicídios. É uma tragédia anunciada”, desabafou.

O que chama a atenção é que William era da turma de 2016 da PM, mesma turma dos policiais Peterson da Mota Cordeiro, acusado de estuprar diversas mulheres e assassinar Renata Larissa, em Colombo; e Diogo Coelho Costa, acusado de assassinar a ex-mulher Andrielly Gonçalves da Silva, também em Colombo. Todos os crimes foram registrados neste ano.

O corpo do soldado, que trabalhava como mecânico antes de entrar na PM, foi velado neste domingo (9), no Cemitério Paroquial Colônia Faria, em Colombo. “A gente não esperava isso dele, pois era um menino tranquilo e não tinha inimizades com ninguém. Ele nunca falou nada para a gente”, desabafou a tia de William, Terezinha Nunes de Almeida.

Os corpos de Katia e Dênis foram levados para o município de Primeiro de Maio.

Colaboração João Gimenes/Rede Massa

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