Professora vítima de violência toma coragem e denuncia ex-namorado

Diariamente acontecem casos de violência doméstica e contra a mulher em Umuarama. A maioria deles não chega às autoridades policiais pelo medo das vítimas, que em muitos casos residem no mesmo local que os agressores.

Há algumas semanas, uma professora de 49 anos foi vítima de agressões praticadas pela mãe do ex-namorado. O homem, de 35 anos, segurou a vítima para que a mãe a espancasse com uma barra de ferro. A professora sofreu graves lesões na testa, nas mãos e nas costas. Ela denunciou os agressores na Delegacia da Mulher e um mandado judicial de afastamento foi expedido a pedido da delegada Isabelle Freitas Rodrigues.

A vítima disse a OBemdito que se relacionou durante cinco anos com o acusado e durante todo este período sofreu outras agressões e ameaças. “Ele me deu um soco na cabeça uma vez. Em outra ocasião amassou meu carro em frente ao colégio em que eu trabalho, além de outros casos”, conta a professora.

Depois que foi submetida a todos os procedimentos, entre eles exame de lesão no IML (Instituto Médico Legal) e interrogatórios na delegacia, a vítima decidiu, mesmo com uma medida judicial de afastamento decretada pela Justiça, sair da cidade.

“Antes destas agressões ele já havia me ameaçado com arma, quebrado meu carro e me agrediu. Desta vez é definitivo, não quero mais reatar o relacionamento. Estou indo embora de Umuarama por causa disso”, lamenta.

Infelizmente agressões são comuns

De acordo com a escrivã de polícia Geisa Spoladore, casos como o da professora não são raros na cidade. Os procedimentos que devem ser tomados pelas vítimas, são a procura pela delegacia especializada assim que o companheiro ameaçar uma agressão. “Assim que a mulher vítima procurar a delegacia, será ouvida. O acusado também será intimado. Se for necessário, um mandado de restrição pode ser solicitado à Justiça, como foi o caso da professora. O autor das agressões está impedido de se aproximar dela definitivamente”, explica, reforçando que, além disso, ele responderá judicialmente à acusação.

Levantamentos realizados pelas investigadoras da Delegacia da Mulher de Umuarama apontaram que o número de denúncias feitas por mulheres vítimas de violência doméstica cresce a cada ano. Em 2016, foram abertos mais de 400 procedimentos, que apuraram casos agressão, ameaça e até de violência sexual. No ano passado o número chegou a 642 e até agosto deste ano já foram 415 registros.

Conforme a escrivã, as mulheres vítimas de violência estão confiando cada vez mais na rede de proteção e isso pode ter colaborado para aumentar a quantidade de denúncias.

“O que existe é um maior número de procura. Campanhas em prol da denúncia ajudam as mulheres a tomarem a iniciativa. As vítimas se sentem seguras com a delegacia especializada no atendimento à mulher. Tanto que todo o atendimento, além da recepção, é feito por mulheres, desde a oitiva até a audiência com a delegada”, relata.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *