Professoras acusadas de torturar crianças em CMEI de Astorga são presas

Três professoras acusadas pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) de torturar oito crianças em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) de Astorga, no norte do Paraná, foram presas por determinação da Justiça. Pais fizeram uma manifestação nesta quinta-feira (6).

Quatro vídeos mostram uma das professoras agredindo as crianças, com idade entre dois e três anos, segundo o MP-PR. As outras duas acusadas não aparecem agredindo os alunos, mas também foram denunciadas porque trabalhavam na mesma sala e não denunciaram os maus-tratos.

Os mandados de preventiva – por tempo indeterminado – foram cumpridos na quarta-feira (5), depois que a Justiça aceitou a denúncia, e elas se tornaram rés pelo crime de tortura. As três mulheres foram encaminhadas para a Delegacia de Astorga. O processo está sob sigilo.

As professoras já estavam afastadas, por 60 dias, sem remuneração, e o afastamento pode ser prorrogado por mais 30 dias.

As agressões foram gravadas dias antes da denúncia, apresentada na última terça-feira (4) pelo promotor Lucílio de Held Júnior. Relatos das famílias também sustentam a acusação.

“As imagens mostram o tratamento dispensado às crianças, com crueldade, com frieza, com total desamor, uma quase situação de raiva, de ódio de uma denunciada. E as demais se omitindo daquela situação”, descreveu.

Para Held Júnior, as prisões foram necessárias no caso e criam um efeito de prevenção.

“Cria um efeito de prevenção geral, em relação a potenciais situações semelhantes que pudessem vir a acontecer ou que estivessem acontecendo, dentro de creches e longe do nosso conhecimento”, afirmou.

Manifestação

Pais de crianças que estudam em CMEIs de Astorga fizeram um protesto na tarde desta quinta, em frente à prefeitura. Revoltados com o caso das professoras acusadas pelo MP-PR de torturar alunos de um dos centros, eles pediram justiça.

A mãe de uma criança de dois anos, que prefere não ser identificada, está inconformada com o caso.

“Para dormir, a hora que colocava ela no berço, ela não aceitava ficar deitada sozinha. E para dormir, hoje, ela só dorme abraçada comigo, sentada na sala. Ela não aceita um colchão”, afirmou.

Alguns pais foram recebidos pelo prefeito de Astorga, Antônio Carlos Gomes, na tarde desta quinta. Eles pediram a instalação de câmeras de monitoramento nos CMEIs para tentar impedir que outros casos como este sejam registrados nas creches.

O prefeito garantiu que a instalação de câmeras nas creches será realizada.

“Nós combinamos uma reunião terça-feira (11), desde a parte do secretário de Educação, da parte técnica, como da parte de Obras, para nós vermos essa questão, o quanto mais rápido nós pudermos, nós fazermos a instalação dessas câmeras nas nossas salas”, declarou.

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